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São Jorge
Meus projetos de passar das vinte páginas recebem ameaças todos os dias. A miúda não tem dado trégua. DE e TI - dedicação exclusiva e tempo integral. Quando dorme, de noite, fico imaginando o que vou escrever. Sou feito poeta popular, primeiro elaboro na cabeça depois passo para o papel. Criei um texto sobre o fetiche dos ingleses com os carrinhos de bebê; outro sobre a minha primeira saída sozinha com Letícia, um passeio pelo parque num dia de sol (para contrariar os que esperam um inverno londrino); outro ainda sobre uma saída para o centro da cidade (visita aos pontos turísticos, para meu desespero que não vi nada, só a miúda - se tinha frio, se dormia, se dava para passar no meio do povo que fazia fotos dos cavalos e meninos de vermelho da guarda da rainha). E soube que a minha foto da janela do quarto iniciou um concurso entre os amigos que lêem os blogs dos amigos. O que vejo da minha janela é só o tempo lá fora, como dizia o Renato Russo. Sento na cama, enquanto a miúda me morde o peito, acarinha as costas e me olha com olhos de quem sabe mais sobre mim do que eu mesma, e vejo os quintais das casas dos ingleses. Tem um gato enorme que fica na janela de uma casa das oito e meia até as nove e quinze, sempre! Outro gato, menos caseiro, se aventura numa subida de árvore. Subir tudo bem, o problema é descer, e não tem bombeiro de filmes americanos não. Fica lá a manhã toda. Tem duas árvores caídas, chaminés que servem para colocar as antenas de tv e uma árvore seca, lugar de passarinho preto que parece anum. Ontem vi a lua e para meu espanto o São Jorge tava escalando um morro. Sobe Jorge e me tira daqui, vamos eu e a miúda entrar para os contos de fadas, viver aventuras em outros lugares, sair de casa e encontrar o tempo lá fora!
Escrito por Ana Marinho às 08h45
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Da janela do quarto
Escrito por Ana Marinho às 14h44
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