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Quando fiz trinta anos criei uma pasta no computador - miúdos. Escrevia em tardes de agonia, crônicas de uma viajante em meios acadêmicos. Estava concluindo tese, vivendo sozinha, ouvindo as brasileiras que cantam as músicas de Chico. Em João Pessoa a diversão era ver filmes ruins no cinema (os bons passavam no Banguê, um dia sem som outro sem imagem) e esperar um festival de arte que acontece todos os anos. No verão ensaiava tomar sol, fazer caminhadas, tudo não passava da primeira semana, das primeiras queimaduras na pele, dos primeiros encontros na praia (os mesmos do cinema, do teatro, da universidade). E a tese era sempre a pergunta. Escrevi umas vinte páginas. Outro dia procurei os arquivos e descobri que tinha perdido numa das visitas de vírus. A pasta miúdos sumiu. Hoje, aos 36, abro outra pasta. Agora tenho uma miúda de dois meses, um projeto de viver em Londres, junto com Aécio, nos próximos quatro anos e muitas tardes pela frente. Vamos ver se passo das vinte páginas.
Escrito por Ana Marinho às 14h51
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